Big Fish e outras sobras

Sempre que assisto Big Fish, inevitavelmente penso muito no meu pai, por razões óbvias pra quem viu o filme e principalmente pra quem conhece meu pai. Posso dizer que é um dos poucos homens que conheço que pode falar com conhecimento de sobre quase tudo.

Hoje enquanto almoçávamos, ele me contava sobre a época em que trabalhou embarcado, e além de outras funções, era responsável pela cozinha do barco rebocador. Alimentar 6 marmanjos, com muito pão, batata, improvisação e criatividade, em meio a madrugadas e tempestades. São inúmeras histórias de navios húngaros, filipinos, japoneses e vez ou outra um italiano mais amistoso.

Nosso almoço foi um bacalhau assado com batatas, cebola, alho, azeitonas pretas e muito, mas muito azeite. Maravilhoso, como eu esperava e como ele já havia anunciado, afirmando que a receita merecia ir para o blog. Como de costume, trouxe uma marmitinha pra casa, garantindo a sobrevivência noturna.

Assim como meu pai na cozinha do barco, fiquei olhando para o bacalhau e mais alguns outros ingredientes que encontrei na dispensa, pensando em como poderia somar tudo aquilo e criar algo ainda melhor. Eis que surge essa receita, bem a tempo de aproveitar aquele bacalhau que sobrou da semana santa:

Risto de bacalhau, açafrão e limão siciliano.

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Como o bacalhau já estava pronto, bastou me concentrar nos outros ingredientes. Juntei o açafrão ao caldo de legumes já fervendo e reservei. Em outra panela, aqueci o azeite, um pouquinho de cebola (usei pouca, pois o bacalhau já tinha bastante) e logo depois o arroz arbóreo. Acrescentei o vinho branco e quando o arroz já havia absorvido bem o vinho, adicionei o tal bacalhau, com tudo que ele trazia junto e logo depois fui adicionando o caldo aos poucos e mexendo sempre.

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Pouco antes do arroz chegar ao ponto, coloquei as raspas de um limão siciliano grande e metade do suco. Quando o arroz chegou ao ponto de ‘al dente’, entrou a manteiga, que faz toda diferença, tanto no sabor, quanto na consistência do risoto.

Assim como o mérito da receita é do meu pai e seu bacalhau, ele também carrega uma parte da culpa pela minha paixão pela cozinha.

Obrigado por sempre me ensinar, meu velho!

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